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Liberdade de Expressão nas Redes Sociais — O Que Muda Para Sua Marca?

Liberdade de Expressão nas Redes Sociais — O Que Muda Para Sua Marca?

Já dizia Voltaire: “não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres”. A liberdade de expressão é e sempre deveria ser defendida. Mas quando essa liberdade se torna um argumento para desmantelar sistemas de moderação de conteúdo, aí a conversa fica mais complicada.

Recentemente, vimos grandes mudanças nas políticas das redes sociais, especialmente na Meta. O fim da checagem de fatos feita por empresas independentes, trocada pela moderação de conteúdo feita pelos próprios usuários através de “notas da comunidade”. É o modelo que o X (antigo Twitter) adotou, e que agora está sendo expandido.

O principal argumento? Com essas restrições, muitas contas e conteúdos inocentes eram removidos por conta dos filtros para remoção de conteúdo considerado inadequado.

Mas qual é o impacto real disso para quem trabalha com comunicação de marca e divulgação em redes sociais? Essa é a pergunta que poucos estão fazendo.

O Contexto Brasileiro

Vamos considerar, primeiramente, que o mercado brasileiro é influenciado massivamente pelas redes sociais. WhatsApp, Instagram e Facebook são praticamente extensões da vida das pessoas por aqui. E não é novidade o papel crucial que essas plataformas tiveram na formação de opinião, especialmente em períodos eleitorais.

Em 2016 e 2018, foi estabelecido o fact check — a checagem dos fatos, dos conteúdos das postagens nas redes da Meta por empresas independentes da área editorial. Isso foi uma resposta direta ao impacto das fake news na política, na saúde e no marketing.

Não é novidade para ninguém o impacto que as fake news tiveram. Mas vou tomar a liberdade para colocar que a explosão de “especialistas” nos últimos anos pode se enquadrar nesta categoria, junto com cursos superficiais, mentorias caríssimas e muita pilantragem, que invadiram as redes.

O Que Muda Para Você?

Até então, a Meta mantinha um rígido controle sobre o que pode ser dito ou não em suas redes. As palavras proibidas nos conteúdos (aquelas que eram ditas usando caracteres especiais ou metáforas), agora tendem a ser liberadas para uso sem restrição.

Como ficarão os termos mais sensíveis, relacionados à morte, doenças, crenças e sexualidade? A Meta ainda não publicou a versão brasileira desta mudança, porém, se forem permitidos, profissionais das áreas de saúde, medicina e terapias terão possibilidades ampliadas para falarem mais abertamente sobre esses assuntos.

Se por um lado o receio do descontrole do conteúdo tem causado polêmica entre os usuários das redes, essa liberação pode ser bem-vinda para as empresas. Os anúncios devem acompanhar também as possibilidades de inclusão destes termos e hashtags, que antes emperravam sua divulgação. Isso vai mudar a forma como são criados esses conteúdos.

O Risco Real

Mas aqui vem o lado que ninguém quer falar: como toda rede de uma empresa privada, ter um perfil por lá e depender dele para a divulgação e comunicação do seu negócio representa um risco.

Vamos recordar que em 2024, o X ficou mais de um mês bloqueado por não acatar decisões da justiça brasileira. Houve também a fuga de anunciantes e usuários da rede desde a venda para Elon Musk.

Se há risco de bloqueios das redes da Meta por conta dessas novas diretrizes? Sim, é possível. E aqui vem a reflexão que faço há tempos com meus clientes: o que aconteceria com a sua empresa se ela ficasse 1 mês sem o Instagram?

O cuidado que precisamos ter ao dependermos de um perfil em qualquer rede social é que ele não é nosso. Nós podemos criar, publicar, falar o que quisermos, desde que atendam às regras deles. E estamos sujeitos a essas mudanças, ao algoritmo, às decisões do proprietário da rede.

Prepare-se

Uma outra consequência pode ser o aumento de comentários maliciosos, ataques dos haters, difamação, bullying. Tudo isso pode piorar com essa liberação. O balanço desta mudança vai vir daqui a alguns meses. Hoje ainda é especulação.

Mas que temos que ficar alertas a isso e nos prepararmos para proteger a comunicação e a divulgação do nosso negócio, isso temos que começar já.

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