IA potencializa

A IA não tira sua bagagem—mas sim a potencializa

Quando comecei minha segunda faculdade, eu já estava trabalhando há 10 anos. Quando me formei, já tinha 6 anos de experiência na área. Foram 6 anos para me formar, e em todos eles, trabalhando CLT 8 horas por dia.

Nunca fiz estágio. Sempre aprendi fazendo e tenho isso em mim—aprendo com muita facilidade tudo o que me proponho. Hoje, aos 43 anos, trabalho há 26 anos, sendo destes, 18 na área de design e marketing.

Sou da geração que se formou na escola sem internet. Que fez a primeira faculdade antes do Google. Que fez boa parte da segunda faculdade antes de ter um smartphone.

E aqui vem o ponto que ninguém está falando: a nossa bagagem ninguém tira, muito menos a IA. Pelo contrário, ela potencializa.

A vantagem invisível

Tem algo que a IA não consegue fazer sozinha: entender contexto. Não aquele contexto genérico que você encontra em um prompt, mas o contexto real, vivido, experimentado. O contexto que só vem de 26 anos de trabalho, de erros cometidos, de projetos que deram certo e de projetos que foram por água abaixo.

Quando você tem experiência, você sabe o que funciona. Você sabe por quê funciona. E, mais importante ainda, você sabe o que não funciona—e por quê.

A IA processa padrões. Nisso ela é excelente. Mas ela não tem intuição. Ela não tem aquele feeling que você desenvolveu ao longo de décadas. Ela não sabe o que é estar em uma reunião com um cliente difícil, convencer seus chefes a abraçarem seu projeto, ou salvar um trabalho que estava indo para o ralo.

Quando você soma sua experiência junto com a IA, você não está diminuindo sua capacidade. Você está amplificando. Você está usando a ferramenta para fazer o que a máquina faz bem, que é processar rapidamente, gerar opções, otimizar. Ao passo que você: julga, decide, cria com propósito.

O problema das “caixinhas de empregos”

Os profissionais de 40+, 50+ em diante, de forma geral, têm uma bagagem enorme que não cabe muitas vezes nas caixinhas que lhes são oferecidas. Caixinha júnior, caixinha analista, caixinha salário baixo. Caixinha “você está acima do esperado para o cargo, mas não temos budget para te promover”.

Essas caixinhas foram criadas em um mundo onde a experiência tinha um preço. Onde você subia na hierarquia porque tinha anos de casa. Onde a progressão era linear e previsível.

Esse mundo não existe mais.

Enquanto o mercado tenta encaixar profissionais muito experientes em caixinhas pequenas, alguns desses profissionais entenderam que podem se libertar destas caixinhas. Que podem empreender. Que podem oferecer consultoria. Que podem trabalhar por projeto. Que podem ser donos do seu próprio destino.

A força de trabalho invisizibilizada

Estamos caminhando para sermos 50% da força de trabalho no país em poucos anos. Sim, você leu certo. Profissionais com 40+ anos muito em breve se tornarão metade da força de trabalho no Brasil.

E qual a estratégia do mercado para isso? Aposentadoria compulsória? Desemprego estrutural? Ou será que finalmente vamos acordar para o fato de que essa é a nossa maior oportunidade de inovação?

Porque aqui está um segredo que ninguém quer falar: profissionais experientes + IA = uma combinação poderosíssima.

Um júnior com IA consegue fazer o trabalho de um analista. Mas um analista experiente com IA consegue fazer o trabalho de um diretor. E um diretor experiente com IA consegue fazer o trabalho de um C-level.

Esse é o conceito de amplificação da IA.

O que muda para você

Se você tem 40+, 50+ anos e está se sentindo invisível no mercado, você está na verdade em um ponto de inflexão. A IA não pode tirar sua bagagem. Ela pode te potencializar.

Entenda que você não precisa competir com um júnior que sabe usar o ChatGPT. Você precisa sim ser o profissional que sabe usar a IA e tem +25 anos de experiência. Você é aquele que sabe quando usar a IA e quando confiar no seu julgamento.

Isso é raro e valioso. Isso é o futuro.

A pergunta que fica

O que o mercado está fazendo ou vai fazer para aproveitar esse potencial todo? Porque, se não fizer nada, esses profissionais vão embora. Vão empreender. Vão criar suas próprias empresas. Vão oferecer consultoria. Vão, enfim, tirar o melhor de si mesmos para si mesmos.

E aí, o mercado vai perceber que perdeu a maior oportunidade que tinha. E que bom para quem empreender e tiver sucesso.

A bagagem que você carrega não está obsoleta. Ela é seu diferencial. A IA é só a ferramenta. Você é quem sabe como, quando, onde e porquê usá-la.

Qual é a sua experiência com isso? Você vê profissionais experientes sendo valorizados ou descartados no seu mercado?

Foto de Karina Parra

Karina Parra

Karina Parra é fundadora da Iksa, empresa com DNA USP especializada em consultoria de branding e negócios. Com mais de 18 anos de experiência em design e marketing, Karina ajuda empreendedores a construir marcas verdadeiras que crescem de forma sustentável.

Veja a análise

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