Enquanto Você se Sente Indignado, Alguém Ganha com Isso
Você já parou para pensar em quantas vezes por dia alguém tenta te irritar propositalmente? Não é paranoia. É estratégia.
Sabe aquele post que te fez revirar os olhos? Aquele vídeo que você começou a assistir apenas para comentar como estava errado? Aquela afirmação tão absurda que você não conseguiu deixar de responder? Tudo isso é calculado. Friamente calculado.
Chama-se rage bait — ou, em tradução livre, “isca de raiva”. E enquanto você se sente indignado, alguém está ganhando dinheiro com isso. Muito dinheiro.
A Fórmula Simples (e Eficaz) do Rage Bait
A fórmula é tão simples que é quase constrangedor. Você começa com uma provocação clara:
“Duvido que você consiga fazer melhor. Minha opinião é melhor do que a sua. Prove que estou errada.”
Ou:
“Ninguém precisa de pesquisa. Todo bom designer faz isso de olhos fechados.”
Percebeu quantos gatilhos em um parágrafo? Você não está preparado para essa conversa. Há uma opinião controversa. E quem discordar, deve ter algum tipo de problema mental. Concorda?
Pronto. Você foi fisgado. E agora? Agora você vai clicar, comentar, compartilhar, se irritar, tentar provar que está errado. Você vai gastar tempo, energia mental e atenção. E enquanto isso, o algoritmo está registrando cada movimento seu.
Como as Redes Sociais Lucram com Sua Raiva
Vamos ser honestos: as redes sociais não ganham dinheiro com felicidade. Elas ganham com tempo de permanência. Quanto mais tempo você fica rolando o feed, interagindo com conteúdos, mais anúncios você vê. E quanto mais anúncios você vê, mais dinheiro elas ganham.
A raiva é um dos gatilhos mais poderosos para manter você engajado. É mais poderoso que a alegria, que a inspiração, que qualquer coisa. A raiva te mantém acordado, te mantém voltando, te mantém comentando.
Então, quando você vê um conteúdo que te irrita, saiba que não é acidente. É design. É engenharia comportamental. É alguém que estudou psicologia humana e decidiu usar esse conhecimento para te manipular.
O Impacto Real na Sua Vida
Agora vem a parte que ninguém quer falar: qual é o custo disso tudo?
Você se sente mais ansioso? Mais irritado? Mais desesperado? Tudo bem, você não está sozinho. Estamos todos nessa. Mas enquanto você passa o dia inteiro envolvido em situações que te tiram da zona de conforto de forma fútil, você está gastando sua energia mental em coisas que não agregam nada à sua vida.
Porque uma coisa é sair da sua zona de conforto para fazer algo produtivo — estudar algo novo, tirar um projeto do papel, buscar um emprego melhor, criar seu negócio. Outra coisa é ficar constantemente irritado por conta de futilidades, que te levam a discussões inúteis, que te fazem gastar horas em uma rede social que não te agrega em nada.
E ainda tem mais: enquanto você está irritado, você está mais propenso a clicar em anúncios, a comprar produtos que não precisa, a se inscrever em cursos que não vai fazer. Tudo isso porque você está em um estado emocional alterado.
E Quanto ao Seu Negócio?
Aqui é onde fica interessante. Se você usa rage bait para ganhar engajamento, você precisa saber: isso funciona no curto prazo. Sem dúvida. Os números sobem, as visualizações aumentam, as pessoas falam sobre você.
Mas qual é a experiência do seu público quando passa por algo assim? Isso está alinhado com a percepção de marca que você quer passar? Você, em sã consciência, compraria ou recomendaria um produto que chegou a você de forma irritante?
Ações de rage bait podem conseguir resultados rápidos, aumentar engajamento, mas não fidelizam público. E se bobear, ainda trazem uma série de devoluções, cancelamentos, desistências, reclamações, que não beneficiam seu negócio.
Uma coisa é você inovar através de uma ação que é chamada de marketing de guerrilha — inovar através de algo que choca, algo inesperado, algo que surpreende o público. Rage bait é o oposto disso. É tentar despertar o pior em você para conseguir sua atenção. Isso não atrai pessoas por muito tempo. Mas sim, as afasta.
A Grande Questão
Enquanto o rage bait pode aumentar o engajamento rapidamente, ele prejudica a fidelidade e a imagem de uma marca a longo prazo. E aqui vem a pergunta que não quer calar:
Qual tem sido a sua experiência com esse tipo de conteúdo? Você já utilizou conteúdos provocativos para ganhar engajamento do seu público? E se utilizou, qual foi o resultado real, além dos números?
Porque, no final das contas, números não pagam as contas. Clientes fiéis pagam. E clientes fiéis não vêm de raiva. Vêm de confiança.
